Consulta de Psicoterapia da Criança

Psicoterapia na Criança

O mal-estar infantil nem sempre surge em palavras. Pode manifestar-se no corpo, no comportamento, no sono ou nas birras. Por trás do que parece distração ou agitação, existe muitas vezes um sofrimento silencioso. A psicoterapia infantil transforma sentimentos em palavras e jogos, ajudando a criança a lidar com medos, frustrações e inseguranças. O processo envolve também os pais, fortalecendo a compreensão e a empatia.

 “Desde o início do ano anda mais desatento nas aulas, mais agitado, a portar-se pior. Tento ajudá-lo a estudar, mas parece impossível. Nunca quer, parece que não consegue estar atento. Quando, cansada, começo a ralhar, fica ainda mais bloqueado. 

“Sei que devia, mas não consigo que durma no seu quarto. A meio da noite começa a chorar e só se acalma quando vem para a nossa cama. Diz que tem medo de ficar sozinho, que não nos quer perder.

“Está sempre com dores de barriga. Parece que piorou quando o pai saiu de casa. O pediatra diz que está tudo bem, já não sei o que fazer.

 

Quando se é pequeno, não é fácil compreender e muito menos explicar o que se está a sentir. Muitas vezes, o sofrimento da criança não surge em palavras, mas manifesta-se através do corpo, do comportamento ou das emoções. Dores de barriga ou de cabeça frequentes, doenças repetidas sem causa orgânica identificável, tristeza, apatia, medos intensos, zangas, birras frequentes, dificuldades de atenção, concentração ou aprendizagem são, muitas vezes, sinais de que algo não está bem.

Quando este sofrimento é intenso ou prolongado, pode interferir com o desenvolvimento emocional, relacional e cognitivo da criança. Se não for compreendido e acompanhado, pode traduzir-se mais tarde em dificuldades emocionais, relacionais e escolares.

Na psicoterapia psicanalítica da criança, é sobretudo através do brincar que a criança comunica o que sente. O brincar é a sua linguagem natural e o principal meio através do qual expressa medos, angústias, conflitos e desejos. É também através do brincar que, no espaço terapêutico, se pode ir compreendendo, acalmando e reparando aquilo que está a causar sofrimento.

Este trabalho permite à criança, com o apoio fundamental dos pais, ir construindo recursos emocionais internos para lidar com sentimentos difíceis, regular emoções, ultrapassar angústias e medos e desenvolver uma estrutura emocional mais segura. A psicoterapia da criança promove, assim, um desenvolvimento emocional mais saudável, ajudando-a a crescer com maior confiança, estabilidade e capacidade de adaptação aos desafios da vida.

Sinais a que os pais devem estar atentos

  • Queixas físicas frequentes sem causa médica identificável (dores de barriga, dores de cabeça, vómitos, febres recorrentes, alergias);
  • Alterações significativas de comportamento, oposição ou agressividade;
  • Dificuldades relacionadas com separações, divórcio, perdas ou mudanças familiares importantes;
  • Atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem;
  • Problemas de sono e/ou alimentação;
  • Dificuldades de atenção, concentração e memória;
  • Dificuldades de aprendizagem ou quebra no rendimento escolar;
  • Medos intensos e persistentes;
  • Ansiedade constante, insegurança ou baixa autoconfiança;
  • Dificuldade em estabelecer relações com outras crianças ou adultos;
  • Choro frequente sem que a criança consiga explicar o motivo;
  • Dificuldades no controlo dos esfíncteres fora da idade esperada.

FAQ's

Perguntas Frequentes

O que é a psicoterapia psicanalítica da criança?

A psicoterapia psicanalítica da criança é uma abordagem terapêutica que procura compreender o mundo emocional da criança e a forma como esta vive e sente as suas experiências. Como as crianças nem sempre conseguem expressar-se através da palavra, o brincar assume um papel central, permitindo que emoções, medos e conflitos sejam comunicados de forma simbólica.

Este trabalho baseia-se na compreensão dos processos emocionais e inconscientes que influenciam o comportamento da criança, ajudando-a a dar sentido ao que sente e a encontrar formas mais tranquilas de lidar com o seu mundo interno.

A psicoterapia da criança pode ajudar em diversas situações de sofrimento emocional, mesmo quando este não é vivido de forma intensa ou facilmente identificável. É indicada em situações de ansiedade, alterações de comportamento, dificuldades no sono ou na alimentação, queixas físicas recorrentes sem causa médica identificável, dificuldades escolares, de atenção e concentração, bem como irritabilidade frequente.

Pode também ser útil quando existem dificuldades no relacionamento com os pares ou com adultos, dificuldades de separação, medos ou fobias intensas, bem como em situações de separação, divórcio, perda de figuras significativas, mudanças familiares ou reconfiguração do contexto familiar.

A psicoterapia é igualmente indicada quando se observa dificuldade em lidar com a frustração, baixa tolerância à espera ou ao limite, ou quando a criança apresenta regressões persistentes em funções emocionais ou comportamentais já adquiridas como voltar a comportamentos típicos de fases mais precoces do desenvolvimento, apesar de já as ter ultrapassado.

Sempre que os pais sentem que algo não está bem no desenvolvimento emocional da criança, mesmo que seja difícil de nomear, a psicoterapia pode constituir um espaço de compreensão, contenção e apoio ao crescimento emocional.

Importa também sublinhar que muitas destas manifestações devem ser compreendidas à luz da fase de desenvolvimento em que a criança se encontra. Nesses casos, pode ser indicado realizar uma avaliação emocional, que permita compreender o que a criança está a sentir, se essas vivências são expectáveis para a sua etapa de desenvolvimento e se existe ou não necessidade de intervenção. A partir dessa avaliação, torna-se possível perceber se o acompanhamento deve ser feito com a criança, com os pais ou de forma articulada.

A psicoterapia é igualmente indicada quando os pais observam que a criança mantém de forma persistente um discurso muito exigente, crítico ou depreciativo sobre si própria, revelando sofrimento interno e dificuldade em reconhecer o seu próprio valor.

Não. Muitas crianças não conseguem verbalizar o que sentem. É precisamente por isso que a psicoterapia da criança utiliza o brincar como principal meio de expressão e comunicação emocional.

Sim. O envolvimento dos pais é fundamental. A psicoterapia da criança inclui momentos de escuta e acompanhamento parental, sempre que necessário, para compreender o contexto familiar e apoiar o desenvolvimento emocional da criança.

A duração varia de acordo com as necessidades da criança e da família. Não existe um tempo fixo, pois o processo respeita o ritmo de cada criança e a complexidade das questões envolvidas.

As sessões decorrem num espaço seguro e adequado à criança, com a duração aproximada de 45 a 50 minutos. A frequência é, regra geral, semanal, podendo ser ajustada de acordo com as necessidades do processo terapêutico.

O brincar é a principal forma de comunicação da criança, mas o trabalho terapêutico vai muito além disso. Através do brincar, o terapeuta compreende o sofrimento emocional da criança e ajuda-a a organizar e integrar as suas experiências, promovendo maior tranquilidade e desenvolvimento emocional.

Ao longo do processo, é comum observar uma redução do sofrimento emocional e dos sintomas que preocupam os pais. Com o tempo, a criança desenvolve maior segurança emocional, melhor capacidade de regulação das emoções, relações mais tranquilas e uma adaptação mais saudável às exigências do seu desenvolvimento.

As mudanças tendem a ser duradouras, pois resultam de um trabalho profundo sobre o mundo emocional da criança e não apenas da diminuição pontual de sintomas.